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Após a tempestade - Karen White

>> quarta-feira, 24 de abril de 2013




- Porque a água recua, o sol nasce e as árvores voltam a crescer. Porque... - ela abriu os braços, indicando o jardim, a árvore e, imagino, toda a península de Biloxi - aprendemos que grandes tragédias são oportunidades para grandes gestos de bondade. É como se fossem lembretes necessários de que o espírito humano está vivo e bem, apesar de toda a evidência contrária. - Ela baixou as mãos. - Descobri que não tinha morrido e que, portanto, não tinha terminado.
Pág. 130


A vida de Julie Holt foi devastada quando ainda era adolescente. Incumbida de cuidar de sua irmã mais nova, enquanto à mãe ia ao mercado, Julie de repente percebe que ela sumiu. Passaram-se mais de 17 anos e ela nunca foi encontrada. A vida de Julie é regida pela esperança de que um dia a polícia a encontrará, viva ou morta. Mas enquanto há vida, há esperança e todo dia Julie entra na internet e faz pesquisas e buscas.

Agora, já adulta, com uma vida relativamente boa, um emprego do qual gosta, Julie passa por uma nova tragédia. Sua melhor amiga Mônica, falece e lhe deixa como herança, seu filho de 5 anos e uma casa na praia, em Biloxi, Mississippi.

Por cuidar de uma criança pequena, que está abalada e precisa de cuidados constantes, Julie perde o emprego e está à beira da falência. Então resolve ir para Biloxi, ficar na casa que Mônica deixou para ela.

Desesperada e exausta, Julie parte com o pequeno Beau para uma nova vida. Seja isso bom ou ruim. Em Biloxi, descobre que a sua casa não existe. Há apenas um terreno cheio de entulhos. O Katrina foi impiedoso com a casa de praia, a varreu inteira. Não sobrou nada. Mais desesperada ainda e sem teto para morar, Julie vai para um hotel e pensa na única solução possível, irá procurar os parentes de Mônica, que moram próximo, em Nova Orleans.

Mônica é de uma rica família de NO e, ninguém sabe o porquê, fugiu de casa dez anos antes. Julia sabe disso e não sabe se pode confiar na família dela. Não sabe se eles irão tentarão tirar Beau dela, mas ela precisa tentar. Por ele. Por ela. Por Mônica.

Julia acaba conhecendo a encantadora avó de Mônica, Aimee, e seu implacável irmão, Trey. E juntos, vão tentar descobrir o porquê dela ter fugido e mais... vão reconstruir a casa de praia e suas vidas. Julie e Trey tem mais coisas em comum do que a profunda repulsa à primeira vista.

Após a tempestade, de Karen White (Novo Conceito, 416 páginas, R$ 31,90), é espetacular! Eu viajei com os personagens, senti suas dores, ri com eles, chorei com e por eles. Vibrei com as descobertas, fiquei chocada com os segredos revelados, mas o mais importante, aprendi coisas valiosas sobre reconstruir coisas e sobre como nunca deixar de ter esperança. Esse livro dá uma verdadeira aula sobre civismo e amor ao próximo. Após a tempestade é uma lição de vida.

- Eu? Reconstruir? - balancei a cabeça negativamente. - Primeira coisa contra: não sei nada sobre construção ou reconstrução. E, segunda: já esteve lá? Viu como está? São tantos os que não voltaram ou que não reconstruíram, eu entendo completamente. Por que investir tanto tempo e dinheiro se cada temporada de furacões significa uma nova ameaça?
Aimee me fitou fixamente com aquele olhar azul.
- Por que levantar arranha-céus em São Francisco que podem vir abaixo em um terremoto? Por que construir fazendas no Kansas ou em Oklahoma que podem ser varridas por um tornado? - Ela bufou, o que pareceu tão improvável para uma senhora idosa elegante que quase caí na risada. - Para onde queriam que fôssemos, afinal? Eu acho que, se ainda respiramos, temos de continuar. Portanto, nós reconstruímos. Começamos tudo de novo. É exatamente o que fazemos. Imagino que era isso que ela desejava para o Beau: um sentimento de pertencimento, de ter um lugar para o qual voltar, estivesse onde estivesse. Um lugar para ele chamar de lar por senti-lo assim, respirá-lo. Saboreá-lo.
Pág. 63

A história possui dois narradores, Julie e Aimee. Com a narrativa de Julie, vamos conhecendo um pouco mais sobre ela, seu passado e sua relação com Mônica. Seu olhar para uma terra que foi cruelmente devastada pelo Katrina e sua incredulidade sobre o porquê as pessoas continuam a construir casas num local onde outro furacão pode avançar e destruir tudo novamente. Pela narrativa de Aimee, vamos conhecendo o passado da família de Mônica e sobre o porquê as pessoas reconstroem suas vidas, o porquê elas passam por uma tragédia e se erguem. Através da junção das duas narrativas, a autora constrói uma belíssima história, que entrelaçadas, formam uma só. Os acontecimentos do passando refletindo no presente. 

Estou simplesmente in love  com Karen White e sua escrita. A história é tão vívida que me senti presente à todo momento. Apaixonei-me por Biloxi, pela casa da praia (que tem nome, River Song), pelos moradores que ergueram novamente suas casas e passaram a ajudar outras pessoas, por amor. 

Garanto, ao pegar Após a tempestade, você só o largará após a última página e mesmo assim ficará pensando nele por dias. Entrou para a lista de must read . Super recomendo!


P.S.: Eu sou dessas que leem tudo, da sinopse na quarta página à ficha catalográfica. A dedicatória desse livro é dedica 'aos moradores da Costa do Golfo e de Nova Orleans, porque eles sabem melhor do que ninguém o porquê de reconstruirmos'. Achei isso de uma delicadeza e sensibilidade tamanha... Karen White merece aplausos.

P.P.S: Sabe quando você adora um livro e quer gritar mandando todo mundo ler? Esse é um desses livros! então... LEIAM! rs

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