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O lado bom da vida - Matthew Quick

>> segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Deus, eu não pedi um milhão de dólares. Não pedi para ser famoso e poderoso. Nem mesmo pedi que Nikki me aceitasse de volta. Só pedi um encontro. Uma única conversa cara a cara. Tudo que fiz desde que saí do lugar ruim foi tentar melhorar — para me tornar exatamente o que Você quer que todos sejam: uma pessoa boa. E aqui estou eu, correndo pelo norte da Filadélfia em um dia de Natal chuvoso... — sozinho. Por que Você nos deu tantas histórias sobre milagres? Por que Você enviou Seu Filho do céu? Por que Você nos deu filmes, se a vida nunca acaba bem? Que merda de Deus é você? Você quer que eu seja infeliz para o resto de minha vida? Você quer...
Pág. 218
Pat Peoples está internado num centro psiquiátrico há... bem, nem ele sabe ao certo quanto tempo; pode ser dias, meses e até anos e o pior: ele nem ao menos se lembra do porque está lá. Ele odeia o ‘lugar ruim’ e só quer voltar logo para sua esposa Nikki, depois do ‘tempo separados’. Um dia, um dos seus sonhos se transforma em realidade. Sua mãe o tira do centro com a condição dele nunca mais procurar a esposa. Pat promete, afinal é mais fácil mentir para a mãe do que para os médicos.

Algo está estranho. Seu pai não fala consigo, seu irmão está bem de vida e casou (e ele não lembra do casamento), seu melhor amigo agora tem uma filha pequena e... ele simplesmente não lembra de nada. Quanto tempo passou fora?

Isso não importa, o que realmente importa é que ele será um homem melhor para Nikki. Perdeu 25 kg desde que estão separados, malha incansavelmente todos os dias e está lendo os livros de literatura clássica que ela tanto aprecia. Ele está diferente e melhor por e para ela.

Durante os devaneios sobre voltar para Nikki, Pat conhece pessoas que ajudarão no seu aprendizado. Dr. Patel, que além de terapeuta e torcedor fanático dos Eagles, se tornou um bom amigo. Seu irmão Jake, que nunca foi visitá-lo no manicômio, se mostra extremamente terno, seu amigo Ronnie, se tornou uma grande surpresa ao convidá-lo para jantares e se interessar por malhação e Tiffany, uma mulher completamente maluca e desequilibrada – como ele – que transformará toda sua vida.

Gostei tanto desse livro! Primeiro, não é apenas uma história sobre um cara doidão e sua vida pós-manicômio, é sobre esperanças e sobre ver – literalmente – o lado bom das coisas, mesmo quando este parece não existir. Como tentar enxergar o sol sob as gotas de chuva. Sobre acreditar em finais felizes. O autor nos conta a história de Pat relacionando fatos reais à ela, como o suicídio de Hemingway e Sylvia Plath, sobre como eles nem sempre viam o lado bom das coisas e escreviam livros com finais deprimentes (prepara-se, Mathew Quick solta spoiler sobre alguns clássicos). Ele filosofa sobre como algumas pessoas são fracas a ponto de suicidar ao invés de viver nesse mundo maravilhoso, apenas bastava – como sempre – que eles vissem o lado bom de tudo. Ser otimista e determinado.

A relação de Pat e Tiffany é bem singular. Ela o segue o dia todo, quanto mais ele corre, mais determinada ela fica. Sempre ao sair de casa, ela o está esperando e sem ao menos cumprimentá-lo começa a correr ao seu lado. Até que ele a convida para  sair, quem sabe assim ela larga do seu pé. Mas, no dia seguinte, ela está novamente à sua porta, esperando pela corrida diária. Até que em outro dia, ela propõe um trato que envolve a ex-mulher de Pat, dança e qualquer música que não seja de Kenny G. (Pat odeia com todas as suas forças esse carinha com cabelos encaracolados, principalmente a música Songbird).

O lado bom da vida, de Matthew Quick (Intrínseca, 256 páginas, R$ 24,90) é um daqueles livros de ar fresco. Você lê rapidamente e depois fica analisando tudo que foi dito. O autor tem uma peculiaridade de tratar temas importantes com humor e sátira.

Brilhante e comovente. Recomendo.

O filme baseado no livro estreia em 8 de Fevereiro. E pelo trailer já dá para perceber algumas diferenças em relação ao livro, mas confesso que estou contando os dias para assistir, afinal por causa dele que me interessei pelo livro. Lembrando que a versão e-book está custando R$ 14,90.


Outras informações:
  • Quick é autor de três romances além de O lado bom da vida, e recebeu várias críticas elogiosas e importantes menções honrosas, entre as quais destaca-se a do PEN/Hemingway Award.
  • Eleito o melhor filme do Festival Internacional de Cinema de Toronto pelo público, recebeu também cinco indicações ao Spirit Awards, o Oscar do cinema independente norte-americano (melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro, melhor atriz e melhor ator).
  • Recebeu um total de oito indicações para o Oscar e tornou-se o primeiro filme a concorrer em todas as quatro categorias de atuação (melhor ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante) em mais de 30 anos.
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