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Como salvar uma vida - Sara Zarr

>> terça-feira, 18 de dezembro de 2012



"Quando olho, têm lágrimas em seus olhos, eu acho,
eu espero que sejam lágrimas de felicidade.
A forma na tela – o bebê – faz alguma coisa no
meu coração se mover também.
A verdade é que é a primeira vez que o vejo.
Ela. Uma parte de mim que não é."
Pág. 51

Jill McSweeney perdeu o pai. Seu pai a quem amava loucamente. Ela perdeu o rumo e não sabe mais o que fazer da vida. Sua única família, agora, é sua mãe (Robin), com quem não tem tanta proximidade. Sua mãe está arrasada, é claro. Ainda não se acostumou a viver sem ele, depois de vinte e cinco anos juntos. Mas ela ainda tem muito amor no peito e necessita de alguém para recebê-lo. E assim que Mandy Madison entra na vida dessa família.

A família de Mandy se resume à sua mãe alcoólatra e promíscua. Vários homens pararam em sua casa, alguns mais interessados na própria Mandy no que na mãe velha. E assim, que ainda adolescente, Mandy resolve conhecer o amor, ao menos uma única vez com um desconhecido que fora gentil com ela. Uma única vez e Mandy engravida. (Nem preciso dizer o que está nas entrelinhas, certo? Não saber quem é o pai da filha é devastador).

Através de um post num jornal, Mandy e a mãe de Jill trocam e-mails. Mandy fará uma doação aberta, para que a filha tenha tudo que ela nunca teve, sobretudo um lar estável. (Mas Mandy, que não aprendeu a confiar, conta várias mentiras e com o tempo uma a uma vão sendo descobertas).

Jill não confia em Mandy e tem medo que no fim ela não queira mais dar o bebê para sua mãe. Como sua mãe irá sobreviver a mais essa perda?

Me pergunto se você não cresce pra ser uma esposa ou uma mãe, o que você é? Uma pessoa sozinha, sempre querendo ser uma coisa a outra, ou ambas? Minha mãe nunca foi uma esposa e era isso que ela queria  mais do que qualquer coisa. Ela não queria ser mãe, e não era. Onde isso a levou? Um marido faz de você uma esposa, e um filho faz de você uma mãe. Robin, ela tem tudo e é tudo, porque teve Mac e tem Jill e também tem um trabalho. E se não tiver ninguém pra fazer de você alguma coisa?
Um monte de vezes quando olho para o mundo e todo mundo nele, sinto como se eles todos soubessem de algo q não sei. Não sou burra; consigo enxergar como funciona. Mas é como pular corda dupla no estilo holandês. Na escola eu assistia as cordas voarem e via menina após menina pular e acertar ou ficar presa nas cordas e rir. Eu ficava com minhas mãos prontas e meu corpo indo para frente e pra trás, tentando pegar o ritmo e o momento certo, e a Sra. Trimble, a professora de educação física, dizia: "Vamos lá, Mandy, todo mundo está esperando", e eu não conseguia. Não conseguia descobrir como entrar.
É assim que a vida parece pra mim. Todo mundo está fazendo; todo mundo sabe como. Viver e ser quem são e achar um lugar, achar um momento. Eu ainda estou esperando.

Pág. 144

Juntas, essas três mulheres com coração dilacerado precisarão superar as diferenças e encontrar o caminho de volta à vida. Que história! Prepare-se para ter o coração partido. A escrita de Sara Zarr marca a pele. Você consegue sentir toda a dor dos personagens. Você sofre com eles e reza para que tudo dê certo, como se eles fossem um amigo ou parente. A autora foca bastante nos sentimentos, por isso é impossível não se comover. (Apesar do enredo triste e comovente, o final é feliz. Estou encantada e a autora e entrou na lista das divas).

Como salvar uma vida, de Sara Zarr (iD, 312 páginas, R$ 34,50) é narrado por dois personagens, que vão intercalando entre os capítulos. A técnica do fluxo de consciência também está presente. Mandy sofreu abuso, sexual e mental, e mesmo assim luta para dar um lar decente à filha; foge de casa e desafia a mãe. Jill virou ostra. Não deixa ninguém entrar em sua concha. Rechaça a mãe e até o próprio namorado. Pintou o cabelo e começou a vestir roupas escuras. Para sua sorte, apesar dela ter desistido deles, eles não desistiram dela. E Dylan, seu namorado irá dar uma forcinha para tirá-la dessa e uni-la à Mandy.

Tem outro personagem importante nessa história. Ravi. Ele é algo como a outra metade do que falta em Dylan e como se Jill não tivesse com o que se preocupar, a aproximação com Ravi a está incomodando. Ela ama Dylan, mas sente algo por ele, também. Nada é fácil ou simples para ela. (Nem para sua mãe e Mandy).

Enredo dramático. Personagens vívidos. Escrita marcante. Final feliz.

Recomendo!

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