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A Filha da Minha Mãe e Eu - Maria Fernanda Guerreiro

>> terça-feira, 14 de agosto de 2012



Quando vi as duas listras azuis no teste de gravidez, tive uma certeza:
preciso me sentir filha antes de me tornar mãe.
Porque uma parte da minha alegria era inventada,
e a outra não era minha.
Pág. 7


Normalmente quando leio um livro, começo a entrar no clima depois de algumas páginas. Este me tocou já no primeiro parágrafo.

Quando descobre que está grávida, Mariana se vê dividida entre a alegria e o medo da maternidade, por conta dos grandes conflitos que sempre teve com sua mãe, Helena.  Ela acredita que, antes de mais nada, para se tornar mãe, precisa perdoar e ser perdoada. 

Desde muito novinha, Mariana sentia-se menos amada do que seu irmão, Gustavo. Por mais que tentasse agradar Helena, por mais que implorasse pela sua atenção e seu amor, sempre se sentia incompreendida. E seu ótimo relacionamento com o pai, Tito, também era motivo de grande ciúme por parte da mãe.

Toda a rigidez e aparente frieza de Helena era usada para tentar esconder seu triste passado. Quando criança, sua mãe traiu o seu pai que acabou preso por ter atirado no amante da esposa, num ataque de fúria. Sua mãe então fugiu, abandonando os filhos pequenos. Helena foi separada de seus irmãos, indo morar com outra família, causando traumas que ela carregou a vida inteira. E tudo isso acabou influenciando na sua maneira de ser mãe. Mas, apesar dos ataques de raiva e descontroles emocionais, quando precisava defender os filhos de alguma situação, Helena se tornava uma verdadeira leoa!!

De repente, veio uma imagem na minha cabeça: minha mãe era como um doce de mil folhas, com várias camadas, e só se chegava ao creme tirando cada folha antes.
Pág. 110

Enquanto Mariana crescia, os problemas aumentavam, assim como também crescia a distância entre mãe e filha. Mariana queria ser mais próxima de sua mãe, queria poder conversar com ela sobre suas coisas, queria tê-la como amiga. Mas Helena era enfática: “Eu sou sua mãe, não sua amiga!”. Sentindo-se sozinha e desamparada, Mariana precisa lidar com as dores, os problemas da adolescência, as primeiras paixões, contando consigo mesma e com seu pai amoroso.

Depois de tantos anos, compreendi que não é que minha mãe não sabia dar. Ela não sabia era receber.
Pág. 136

Toda a história é contada por Mariana, o que me agradou muito porque, por mais que ela estivesse narrando pelo seu ponto de vista, em diversos momentos ela também tentava entender o ponto de vista de sua mãe. Adorei a diagramação, fácil de ler, e a capa é linda!

Ao iniciar a leitura de A Filha da Minha Mãe e Eu, de Maria Fernanda Guerreiro (Novo Conceito, 256 páginas, R$ 29,90), o primeiro pensamento que tive foi: “Eu nunca vou conseguir escrever sobre esse livro como ele merece ser escrito...” E realmente não consegui transferir para o papel todas as emoções que ele me despertou.  Um livro forte e extremamente profundo! Doído, até. Uma história comovente que, muitas vezes, me levou às lágrimas. Parte dessas lágrimas, tenho certeza, por pura saudade da minha mãe, que já se foi há nove anos, e que, graças a Deus, era bem diferente de Helena!

Vou deixar para vocês alguns trechos desse belíssimo livro. Recomendo que todos comprem, ele merece ser lido!

Passei boa parte da minha vida alternando entre querer ser igual a minha mãe ou ser tudo o que ela não era. Mas, o mais curioso é que, em ambos os casos, a referência era a mesma. Até quando eu queria ser completamente diferente dela, era nela em quem me espelhava.
Pág. 203

A verdade é que éramos duas estranhas que não sabiam demonstrar o sentimento que a outra precisava. De repente, tudo me pareceu tão simples e o tempo entre nós tão desperdiçado. Era fato o amor que existia entre mãe e filha, mas os caminhos escolhidos para demonstrá-lo não tinham sido os mesmos.
Pág. 117

Engraçado... minha mãe que nunca tinha conversado comigo sobre sexo, nem sabia quais eram meus sonhos e medos, em vários momentos importantes da minha vida esteve junto comigo e não percebi.
Pág. 122
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CLÁUDIA VASCONCELOS


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