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Delírio - Lauren Oliver

>> quinta-feira, 5 de julho de 2012



“Amor: ele vai matá-lo e salvá-lo ao mesmo tempo.”
Pág. 307


Em Delírio, de Lauren Oliver (Intrínseca, 352 páginas, R$ 29,90), encontramos uma sociedade onde o amor é tratado como uma doença e, aos 18 anos, todos passam por uma intervenção, onde são curados, ficando livres assim do mal e do sofrimento que o “Amor Deliria Nervosa” pode causar.

Lena, conta os dias para a sua intervenção, onde de uma vez por todas poderá se livrar da reputação que carrega. Sua mãe se suicidou, após passar por três intervenções, mas isto é o que lhe contam. As coisas começam a mudar quando ela conhece Alex e, através dele, acaba descobrindo que talvez o amor não seja uma doença. E se for, seria melhor não se curar dele.
A vida de Grace desmoronou por causa de uma única palavra: simpatizante. Meu mundo explodiu por causa de outra: suicídio.
Correção: aquela foi a primeira vez em que meu mundo explodiu.
Na segunda vez em que meu mundo explodiu foi também por causa de uma palavra. Uma palavra que subiu pela minha garganta e escapou de meus lábios antes que eu pudesse pensar ou contê-la.
A pergunta foi: Quer me encontrar amanhã?
E a palavra foi: Sim.
Pag. 119

Lauren Oliver nos apresenta uma nova sociedade, onde todos os tipos de amores são considerados doenças. Após a “intervenção”, as pessoas passam a ser mais apáticas e impessoais, ligações antes existentes são quebradas, amizades são destruídas, não há emoção, nem expressão, sentimentos são proibidos, afinal expressá-los seria um sintoma de que a intervenção não funcionou e que algo está fora do controle.

No entanto, como toda sociedade que aparenta ser “perfeita”, vamos encontrar a sua verdadeira face e, em Delírio não será diferente. Vamos descobrir, assim como Lena, que algumas verdades não passam de mentiras.
Enquanto estou deitada ali, com a dor penetrando meu peito e a sensação ansiosa e doentia se agitando dentro de mim e um desejo tão forte por Alex que é como uma faca rasgando meus órgãos e me dilacerando, tudo em que consigo pensar é: Isto vai me matar, isto vai me matar, isto vai me matar. E eu não me importo.
Pág.187

A história segue num ritmo equilibrado, nem  muito rápida, nem lenta, mas de um modo que lhe prende. Um ponto interessante a se destacar, é o livro do Shhh (Suma de hábitos, higiene e harmonia), onde de certa forma ele funciona como um guia para esta nova sociedade, outro fato do qual gostei foi a autora conseguir unir fatos, histórias, lendas e todo um universo de literatura, ciência e religião, e criar para esta nova sociedade e este livro-guia. Em alguns capítulos são apresentados alguns trechos do Shhh, que nos deixa mais por dentro do universo de Delírio, algo que eu particularmente amei; seria  muito bom poder ter um exemplar do Shhh nas mãos.
Devemos estar sempre em guarda contra a doença; a saúde de nossa nação, de nosso povo, de nossas famílias e de nossas mentes depende de vigilância constante.
- Medidas básicas de saúde, Shhh, 12ª edição.

Muitas vezes entrei em conflito com a personagem principal, Lena. No início, ela é muito focada na sua intervenção, às vezes queria dar uns tapas nela por querer sempre ser tão certinha. No entanto, de certo modo, é até compreensível; ela vive sob a  sombra do fantasma da mãe que se suicidou, achando que um dia pode se tornar igual à ela e morrer consumida pelo “Deliria”. Ela vê a única saída/cura  na intervenção, porém ao conhecer Alex, Lena vai perceber que tudo aquilo em que ela confia e crê, não é tão perfeito e seguro.

Quando chegamos ao final... Bom, a única coisa que posso dizer é: estou louca pelo próximo, e não vejo a hora de ler Pandemônio e saber o nos aguarda.
Você precisa entender. Não sou ninguém especial. Sou apenas uma garota. Tenho um metro e cinquenta e oito e sou mediana em todos os aspectos. Mas tenho um segredo. Você pode construir paredes até o céu, mas eu encontrarei uma maneira de voar por cima  delas. Pode tentar me prender com cem mil braços, mas eu tentarei um jeito de resistir. E há muitos de nós por aí, mas do que você imagina. Pessoas eu se recusam a deixar de acreditar. Pessoas que se recusam a por os pés os pés no chão. Pessoas que amam em um mundo sem muros,  pessoas que amam em meio ao ódio, em meio à recusa, com esperança e sem medo.
Eu amo você. Lembre-se. Eles não podem tirar isso de nós.
Págs. 341-342

Série Delirium
1. Delírio
2. Pandemonium
3. Requiem
Hana (ss)

* ss - short story

JULIANA BITTENCOURT


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