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O Nome do Vento - Patrick Rothfuss

>> segunda-feira, 30 de abril de 2012



Numa hospedaria, no meio do caminho, existe um homem calado, arrumando suas garrafas nas prateleiras, polindo seu balcão com um pano úmido e contando os dias que começam e terminam sempre do mesmo jeito (sempre? Não. Nem sempre foi assim...).

Certo dia entra por sua porta um viajante, ainda agitado pelo roubo de seu cavalo. É um historiador profissional, ou Cronista, que no livro representa uma espécie de escrivão, que viaja para ganhar uns trocados registrando em papel e tinta as histórias de uma cidade, um nobre ou outro qualquer que lhe dê alguns cobres. Contudo, o homem de cabelos vermelhos no balcão, Kote, não é um taberneiro qualquer e acaba por ser reconhecido e o Cronista tem diante de si um dos maiores achados de sua vida e, evidentemente, o homem do balcão não precisa pagar para que outro ouça suas aventuras. Uma história fantástica e exclusiva está à espera do afortunado Cronista.

É mais ou menos assim que se inicia O Nome do Vento, primeiro livro da Crônica do Matador do Rei (Arqueiro - 2009, R$ 49,90), uma capa linda; um livrão de 656 páginas de doce mel fantástico!

Kote, que um dia fora Kvothe, já teve muitos outros nomes: o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; Kvothe, o Matador do Rei... Cada um será explicado ao Cronista. Kvothe está aposentado, digamos assim, e perdido de uma época de aventuras e glórias onde foi conhecido e admirado. Mas este isolamento e quietude acabam por lhe insinuar uma grande vontade de deixar seus feitos registrados para a posteridade. O Cronista, que já o conhecia (pelo menos o Kvothe que todo mundo conhecia), topa na hora, e de pena na mão, vai anotando tudo o que o heroi conta e, segundo o próprio protagonista, seu relato levaria três dias para ser contado de um fôlego só, e cada dia se transforma, pelas mãos do autor norte-americano Patrick Rothfuss, em um livro diferente.

Kvothe é uma lenda. O Cronista, movido pela curiosidade, quer saber dentre todos os relatos que já ouviu, o que é verdade e o que é mentira para ser o mais "fiel a realidade" possível nos seus relatos. Ela vai escrevendo o que Kote conta, e aos poucos, nós é que vamos descobrindo a verdade, de como uma lenda vida tonou-se um cansado e humilde estalajadeiro. Num certo momento, Kote resume sua vida assim: “Fiz parte de uma trupe, viajei, amei, perdi, confiei e fui traído.”. Mas há, logicamente, muito mais a ser contado, com doses generosas de seres fantásticos e goles da melhor magia permeando toda a história.

Convém dizer que li O Nome do Vento já há uns dois anos, mas por alguma razão insondável, perdi esta resenha e volto agora, que o segundo livro da série (O Temor do Sábio) foi lançado, a tentar resenhá-lo por uma segunda vez.

Se alguém der uma olhadinha lá no meu Skoob, vai ver que este livro é um dos meus favoritos de todos os tempos. Poucos livros de fantasia são tão bons e apaixonantes, além de serem eximiamente bem escritos, como o Nome do Vento (não confundir com A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, que é outra obra de arte, mas que não é o nosso objeto neste texto).

A história que obtemos dos relatos de Kvothe falam de suas origens, como um músico numa trupe itinerante, onde toda sua família é, num fatídico dia, assassinada por algo que simplesmente conhecemos como o Chandriano. Pouca coisa sabemos sobre estes seres sobrenaturais e maléficos. Esta história fica então um pouco esquecida enquanto o menino Kvothe conhece um arcanista (um mago/ feiticeiro) e vai então para a Universidade, um local onde se aprende o "nome das coisas". A procura pelo Chandriano, contudo, não é esquecida é passa a ser a obsessão do menino.

No livro, o nome das coisas é algo muito importante. Cada coisa possui seu "verdadeiro nome" e saber este nome dá poder sobre a coisa em si. Neste processo de aprendizado, Kvothe tem que saber combinar os nomes para produzir feitiços e com muito esforço torna-se exímio nesta arte, sem deixar de fazer lá suas pequenas (digamos assim) cagadas. Seu objetivo é descobrir o verdadeiro nome do vento, o que lhe dará grande poder.

Temos um relato de um jovem apaixonado por sua música, suas mulheres e amigos, além de suas dificuldades para sobreviver sozinho no mundo. A vida deste herói não é menos fascinante: "notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame...".

O Nome do Vento é literatura de uma magnitude ímpar. É o tipo de livro que pesa em nossa vida no curto espaço em que o estamos lendo. Rothfuss escreve muito bem! Nos afeiçoamos e nos importamos como se houvesse paixão entre nós e aquele objeto sobre o criado mudo, ao lado da cama. É aquela sensação de cumplicidade e comunhão que possuímos com um velho amigo de infância, um tio legal ou um animal de estimação companheiro, ao ponto em que terminá-lo é pôr um fim a este relacionamento especial. Portanto preparem-se!

A continuação O Temor do Sábio (Arqueiro - 2011) já está aí nas livrarias, por isso talvez este relacionamento dure mais. Mas não se iluda, não há porque crer que o segundo livro da série seja menos cativante. Beba à vontade, suspire então, e saiba que no final se sentirá abandonado, mas parta sem temor para as aventuras que nos reserva Patrick Rothfuss. Deixar de vivê-las seria bem pior.


Albarus Andreos




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