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Estilhaça-me - Tahereh Mafi

>> quinta-feira, 19 de abril de 2012



Minha pele está pulsando com a vida de alguém e eu não odeio isso.
Sua dor me concede um prazer que jamais pedi.
Ele não está me soltando porque não consegue.
Porque ele caiu na minha armadilha.
Porque eu sou uma planta carnívora.
E sou letal.



Lembram-se de X-Men? Esse livro é como o seriado. Juliette é uma mistura de Vampira com Wolverine. Vocês podem pensar: Ah, isso é clichê, repetitivo. Mas se formos pensar assim, o que não é clichê ou repetitivo, hoje em dia? Estilhaça-me, de Tahereh Mafi (Novo Conceito, 304 páginas, R$ 29,90) é bom, dê uma chance.

A história se passa num futuro devastado. Juliette está presa, sozinha, há 264 dias. Mas nesse dia, ela ganha um prisioneiro de cela. Um rapaz. Ela fica chocada. Qual será a armação por trás da vinda dele? O pior é que ele é alguém que ela nunca esqueceu. O rapaz de olhos marcantes foi o único que não a hostilizou na escola. O único que ousou se aproximar, mesmo sabendo que não poderia tocá-la.

Juliette tem um dom. Um dom mortal. Ela mata as pessoas com o toque. Ela é única no mundo. Uma aberração. Anomalia da natureza. E resolvem puni-la depois que ela mata uma criança, ao tentar salvá-la. No decorrer da história, vamos conhecendo um pouco mais sobre a vida dela, o momento em que sai da cadeia e é ‘recrutada’, para ser usada como arma de guerra. A obsessão de Warner, comandante e governante da unidade, por ela. Isso e, é claro, a amizade e o amor por Adam.

Passei minha vida dobrada entre as páginas dos livros.
Na ausência de relacionamentos humanos, criei laços com as personagens de papel. Vivi amor e perda por meio das histórias enredadas na história; experimentei a adolescência por associação. Meu mundo é uma teia entrelaçada, amarrando membro a membro, osso a tendão, pensamentos e imagens todos juntos. Sou um ser composto de letras, umas personagem criada por frases, um produto da imaginação fabricado por meio de ficção.
Pág.65-67

No início a narrativa é lenta. A autora nos deixa curiosa para saber o porquê de Juliette, depois de tantos dias presas, finalmente receber um companheiro de cela. A narrativa é lenta, porém boa. Outro fator que pode incomodar, também no início, é a repetição. Juliette tem uma espécie de TOC [acho que foi a maneira que ela encontrou para não enlouquecer]. Algumas palavras são escritas três vezes. Exceção da página inteira com ‘Não sou louca’. Gritos vazios e silenciosos contra o medo. Uma forma de extravasar e não se entregar.

A partir do momento em que ela sai da cadeia é ação a todo o momento. Ela não aceita as regras impostas. Ela é poderosa e decide que não terá mais medo. Fugir é a única solução. A cena da fuga dela e Adam é incrível, ao melhor estilo ‘Missão Impossível’. E então a autora nos brinda com o seu segredinho, uma cópia da escola para superdotados do professor Xavier [que no livro tem outro nome, mas o mesmo dom/poder de telecinese]. E Juliette e nós, leitores, descobrimos que ela não é a única. Ela faz parte de uma especial e pequena parcela da população.

Estilhaça-me é uma ótima obra de fantasia urbana distópica. A autora deixou vários elementos soltos para que a continuação seja melhor ainda. Fiquei curiosa. Será que o apaixonado arquiinimigo de Juliette tem algum poder não descoberto?

Só para dar um gostinho:

estou sufocando
estou tremendo estremecendo estilhaçando-me em lágrimas
e ele está segurando a minha mão de um modo que nunca ninguém me segurou
Pág. 107


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