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O ano da leitura mágica - Nina Sankovitch

>> sexta-feira, 30 de dezembro de 2011




"Os livros espalham vida - minha vida!
Alegria e lágrimas, prazer e dor: 
tudo isso se apoderava de mim 
enquanto eu li na minha poltrona roxa. 
Eu nunca havia passado tanto tempo sentada 
e mesmo assim vivendo muito."



Por algum motivo, essa teria que ser a última resenha do ano. Um livro dedicado à celebração da leitura e da vida.  A irmã de Nina faleceu – câncer – aos 46 anos. A perda foi algo que abalou toda a família. Alguns anos mais tarde, quando a própria Nina estava para fazer 46 anos, foi impossível não se lembrar do que acontecera com a irmã e como aquilo afetou a todos. Ela era dona de casa atarefada, mãe de quatro lindos meninos. Mas ela sentia que poderia fazer algo mais. Na verdade, ela necessitava de algo mais. Como toda sua vida, os livros fizeram parte de seu crescimento e aprendizado, ela se propôs a um desafio: ler um livro por dia, durante  um ano inteiro.

Eu assumi o compromisso de passar um ano lendo por um motivo. Porque as palavras são testemunhas da vida: elas registram o que aconteceu e tornam tudo verdade. Palavras criam histórias que se transformam em histórias inesquecíveis. Histórias sobre as vidas relembradas nos levam para o passado ao mesmo tempo em que nos permitem seguirmos em frente.
Pág. 74

A princípio, poderia parecer impossível, complicado ou difícil, mas com ajuda do marido, dos filhos e seguir metas, ela conseguiria. Primeira regra: nunca ler livros com mais de 350 páginas (exceto quando seu filho mais novo, te olhar com aqueles olhinhos cheios de amor e lhe pedir para ler o livro preferido dele.... com quase 600 páginas). Segunda regra: ler num dia e postar a resenha no blog, no dia seguinte (sim, ela criou um blog para registrar seu ano de leituras mágicas). Terceira regra: não repetir autores (isso mesmo, diversificar é o lema).

E assim começou O ano da leitura mágica, de Nina Sankovitch (Leya, 232 páginas, R$ 34,90). Tempo... espaço... livros... uma poltrona roxa. Ela só precisava disso e rezar, para que os imprevistos fossem passageiros. Ao longo do ano, Nina nos relata sua infância, os tempos difíceis da guerra, quando seus pais precisaram sair da Polônia e irem para os Estados Unidos, a convivência com a irmã, a dor de sua perda, a volta à vida e principalmente como os livros a ajudaram a suportar tudo durante esse ano. Esse ano seria seu último resquício de luto, depois... Ela abriria às portas para a vida e nada mais de tristeza. Esse último ano seria totalmente dedicado à sua irmã.

É como se meu ano de leituras fosse um estado de vida em suspenso, é como se eu estivesse presa a vinte mil léguas, mas não no fundo do mar, e sim de uma pilha de livros. E, para mim, não há lugar melhor para meditar do que com todos os meus livros.
Pág. 84

Nina abre seu coração e nos transporta a um mundo encantado, onde, junto com ela e os vários personagens, viajamos sem sair do lugar. Conhecemos graciosos e horripilantes personagens, imaginados por grandes autores. Alguns famosos, outros nem tantos. Mas grandes, por compartilharem sua imaginação com o público.

Havia mais no meu ano de leituras do que eu havia imaginado. Eu não só estava recuperando lembranças como também estava compartilhando lembranças de um dos grandes prazeres da vida de uma pessoa, a leitura, com um grupo cada vez maior de amigos e estranhos, tanto leitores quanto escritores.
Pág. 103

Encerrei meu ano de leituras com uma obra magnífica. Com simplicidade e sinceridade, Nina tocou meu coração. Me emocionou e me fez vibrar para que ela conseguisse completar sua meta. Com certeza, você também será um dos fãs da Nina e vibrará com/por ela.

Não se preocupe. O livro não é uma compilação das resenhas feitas. Muito pelo contrário, nem todos os livros lidos são citados no decorrer da história. Da mesma forma, alguns livros lidos durante sua vida são comentados. E o porque ele foi importante em determinada época. O livro não é chato, nem incisivo. As citações são tão naturais que a leitura flui rapidamente.

No final, a autora nos presenteia com a lista dos 365 livros lidos. Preciso confessar: Não achei Nora Roberts (que pena!). O título original, desse livro, é Tolstoy and the Purple Chair. My year of magical reading. E gostaria de terminar a resenha com a citação de Tolstói que está inclusa no último capítulo do livro, e que faz parte do seu livro Nota Falsa: “Aconteceu alguma coisa que não foi notada por ninguém, mas que era mais importante do que tudo o que fora exposto.”

Se você fez algo que ninguém notou, ninguém agradeceu, não fique triste. Só o fato de você fazer e se sentir bem, já são motivos para se orgulhar. Acredite em você.

O ano da leitura mágica é transformador! Se dê esse prazer, leia. 

As pessoas compartilham os livros que amam. Elas querem espalhar para os amigos e familiares a sensação boa que sentiram ao ler o livro ou as idéias que encontraram nas páginas deles. Ao compartilhar um livro amado, um leitor está tentando compartilhar o mesmo entusiasmo, prazer, medo e ansiedade que experimentou ao ler. E porque mais o fariam? Compartilhar o amor pelos livros ou por um livro específico é uma boa coisa. Mas é também uma manobra arriscada para ambos os lados. Quem dá o livro não está exatamente expondo a alma para uma rápida olhada, mas quando o entrega com o comentário de que é um de seus preferidos, está muito próximo de expô-la. Somos aquilo que gostamos de ler e quando admitimos que adoramos um livro, admitimos que este livro representa verdadeiramente algum aspecto do nosso ser, seja o fato de sermos loucos por romance, ou por aventura, ou secretamente fascinados por crimes.
Na outra ponta, está quem recebe o livro. Se for uma pessoa sensível, ela sabe que a alma do amigo que lhe oferece o livro está exposta e que ela, a pessoa que o recebe, não deve espiar a alma do amigo. Não estou exagerando.
Pág. 99


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