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Dorothy on the Rocks - Barbara Suter

>> sexta-feira, 6 de maio de 2011

 
 
- Oh Totó, Totó, o que vamos fazer?
Pág. 16

 
Nossa Dorothy (sim, me sinto íntima dela depois de tantas quotes no twitter) em nada se parece com a do filme. Primeiro, ela não é criança. Ela bebe muito e fuma mais ainda. É, nossa Dorothy é muito doida. E nem se chama Dorothy.

Maggie tem 41 anos, mas não conseguiu se livrar da sina de interpretar Dorothy, na peça O mágico de Oz. O vestido xadrez, não lhe cai bem, pior ele está pequeno e descosturado. Entrar nele é uma verdadeira tortura. As falas, ela sabe de cor e salteado, isso é moleza. Encrenca é ter de enfrentar as crianças comentando: Mamãe, eu achava que Dorothy era uma menininha e não uma moça grande.

41 anos, falida, solteira, sem filhos... sua solução foi afogar as mágoas na bebida e no cigarro. Numa noite quando está totalmente bêbada, duas coisas lhe acontecem:

1-    Um homem mais novo, lindo e nu está na sua cama. Tudo que ela lembra é ‘vai cavalinho, vai’
2-    Vê Goodie, seu falecido amigo gay. Mas o Goodie da aparição tem apenas 20cm de altura, usa sapato de salto agulha cor de rosa, vestido de coleção de gala da Barbie e namora um boneco GI Joe!!!!!

O homem em questão é Jack. Simplesmente lindo, lindo e lindo. Ele faz seu mundo dar reviravolta. Ela simplesmente começa a pensar em amor, casamento e família. Detalhe: Jack usa cinta-liga!!! Isso mesmo meninas, o gostosão usa cinta-liga!!!!

Lá vamos nós, penso, lá vamos nós outra vez. Minha mão encontra aquele altinho interessante na coxa dele.
- Você está usando uma cinta-liga por baixo dessa calça? – pergunto com a voz rouca.
- E mais nada – responde enquanto sua mão esquerda belisca meu mamilo. – Já pensou em colocar um piercing no mamilo?
- É, vamos te arrumar um. Você vai adorar.
Pág. 33

Goodie, virou fada madrinha, ou melhor, fada drag. Seu amigo voltou para ajudá-la a não afogar a tristeza e as mágoas na bebida.

De repente, sinto alguma coisa se movendo perto do meu pé. Olho, preparada para gritar, e vejo Goodie colocando a cabeça para fora da minha bolsa, que está no chão. Ele está usando um penhoar azul-claro.
- Gostou? – pergunta, dando uma voltinha. – É do enxoval da Barbie.
Pág. 51

Além deles há o Sr. Ed (versão do cachorrinho Totó). Sr. Ed é o melhor cachorro que Maggie poderia escolher, e olha que ele é um cachorrinho emprestado de sua amiga Sandy.

Dorothy on the Rocks, de Barbara Suter (Bertrand Brasil, 336 páginas, R$ 42,00), é bem engraçado. Me diverti a beça lendo e tuitando citações pro pessoal, mas então algo acontece (na página 264!) que me deixou com uma pergunta no ar: e agora, gostei ou não do livro?

Maggie, não interpreta apenas Dorothy, ela interpreta um arsenal de outras personagens infantis. Sim, ela não quer encarar a realidade e partir para peças adultas, que necessite de mais dedicação por parte dela. Ela faz o que lhe é seguro, não quer sair da zona de conforto. Jack, um meninão. Tem 28 anos, depois de uma noite de sexo com Maggie já está completamente apaixonado (maluco?!).

Maggie aparece como uma personagem forte e engraçada. A protagonista atípica, mais humana, cheia de defeitos. Porém, ao longo da narração ela se torna um pouco chata e maçante. Goodie tem de tudo para ser o melhor personagem da história. Não é sempre que somos apresentados a uma fada drag. As passagens com ele são as mais engraçadas, entretanto ele malmente aparece a partir da segunda metade da trama.

Eu adorei Dorothy, mas o final me deixou arrasada. Aliás, o final mesmo é algo totalmente inimaginável, garanto.

Uma cena que me emocionou (para variar!) foi:

- E toda sua mágica?
- Não tenho esse tipo de mágica, Maggie, ninguém tem.
- Você é minha fada drag. Você deveria cuidar de mim.
- Não posso cuidar de você, Maggie, só posso te amar. É só isso que qualquer pessoa pode fazer por outra.
Pág. 265

Esse trecho me lembrou um outro, do livro O Clube do Biscoito, em que a autora cita que a única coisa que podemos fazer quando alguém está numa situação dramática é sentar-se ao seu lado e chorar com ela. Apenas isso. Apenas amor.

Maggie tem vários amigos com quem contar. Tem uma vida a melhorar e muito trabalho pela frente.

Apesar de ter gostado, fiquei com um gosto de quero mais. Fiquei com aquele desejo de ver um final diferente. O livro tinha tudo para ser melhor.

Recomendo.

Ah, uma coisa super diferente: a autora colocou post-its, nas páginas, com lembretes para Maggie.
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