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Uma Real Leitora - Alan Bennett

>> quarta-feira, 13 de outubro de 2010



'Em uma boa biblioteca, você sente, 
de alguma forma misteriosa, que você está absorvendo, 
através da pele, a sabedoria contida em todos aqueles livros,
mesmo sem abrí-los'.
 Mark Twain


Elizabeth é uma mulher ocupada. Sua agenda nunca está livre. Ela praticamente nunca fica só. Não têm direitos a hobbies. Hobbies são partidários e excludentes. Ela pertence ao povo. Não pode tomar partidos.

Com uma lista de reinados e obrigações, a única espontaneidade verdadeira de ‘Beth’ brincar com seus cachorros welsh corgis. Mas um dia, ao brincar com eles vêem em sua propriedade uma caravana diferente. Uma caravana de livros. Uma biblioteca itinerante.

Curiosa, não se controla e vai observar de perto. Lá, encontra o magrelo e sardento Norman, que é ajudante da cozinheira. Norman se mostra um ótimo crítico literário e a incentiva. Mesmo sem tempo Beth pede empréstimo de um exemplar. E assim nasce uma bela amizade, que gerará uma paixão literária.

Infelizmente a primeira escolha de Beth foi péssima, mas ela leu até o fim, afinal foi educada para nunca ser uma desistente. Mas ao pegar outro livro, tempos depois, Beth foi levada a uma dimensão paralela. Ler é divertido. E ela demorou tanto... Era uma opsidata!

De início ela não discutia literatura com ninguém, muito menos em público, sabendo que um tal entusiasmo tardio, por mais valioso que fosse em si, podia expô-la ao ridículo. Seria a mesma coisa, pensou, se tivesse desenvolvido uma paixão por Deus, ou por dálias. Na sua idade, as pessoas pensavam, para que se dar ao trabalho? ...Nesse estágio tardio de sua vida ela havia escolhido ler enquanto alguns escolhiam escrever.
'Penso na literatura’, escreveu, ‘como um vasto país para cujas distantes fronteiras estou viajando, mas que não é possível alcançar. E comecei tarde demais. Nunca vou recuperar o tempo perdido’.
p. 48-49

Se retratando o mais rápido que podia, Beth cancelava pequenos deveres sociais para ler. Em reuniões, onde comumente participava, sempre perguntava qual o livro do momento e indicava bons títulos. Alguns, e por isso leia-se a maioria, por não lerem, simplesmente respondiam ‘A Bíblia’. Seus ‘subalternos’ pensavam que estava esclerosada, por atacar os convidados com tantas perguntas sobre literatura.

- Acho que leio – disse ela a Norman – porque se tem o dever de descobrir como são as pessoas.
p. 34

A leitura lhe provocava os mais variados sentimentos: alegria, tristeza, raiva... Ler lhe era essencial, tanto quanto respirar. Começou a ler para crianças, fazer a leitura na igreja, ir aos púlpitos.

Beth apesar da idade avançada se sentia tal qual uma criança num parque de diversões. Mas ao invés de subir numa montanha russa, sua adrenalina era ativada pela leitura. Beth é um exemplo a ser seguido.

Ah, contei quem é Beth? 

Não?!

Beth, ou melhor Elizabeth Alexandra Mary é a atual monarca e chefe de Estado do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, bem como Rainha de Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão e Tuvalu. É também chefe da Comunidade Britânica, governante suprema da Igreja Anglicana, comandante-chefe das Forças Armadas do Reino Unido e Lorde de Mann.



Uma Real Leitora, de Alan Bennett (Record, 112 páginas, R$ 27,90) é um manjar aos olhos. Deliciamos-nos com o nascimento de leitora ávida pela diversão e informação - que os livros são capazes de trazer - e inconformada pelo início tardio. Afinal, são tantos livros para ler e tão pouco tempo.

A sede de Beth era tanta que apenas ler já não lhe bastava. Ela queria compartilhar suas idéias, opiniões. Ela sentia necessidade de escrever.  O final do livro é apoteótico. Gostaria muito de transcrever os parágrafos finais, mas eu me perdoaria se lhes tirassem o prazer da descoberta.

De maneira espirituosa Bennet nos mostra que não tem idade para se adquirir conhecimento. Como dizem os americanos, conhecimento é poder. E esse poder está ao alcance de todos.

Recomendo. 

OBS: Uma Real Leitora é um romance inglês ficcional.


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