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[Resenha] Ligeiramente Maliciosos- Mary Balogh

>> quarta-feira, 27 de abril de 2016



Ligeiramente Maliciosos, o segundo livro da série Os Bedwyns de Mary Balogh (Arqueiro, 288 páginas), traz um herói encantador, mas que não é o mais bonito nem o mais apaixonado dos homens. Como nobre e segundo possível herdeiro do ducado de Bewcastle, Rannulf foi educado para ser racional e seguir as regras da sociedade. Contudo, o destino dos Bedwins parece não seguir a linha ordenada por ninguém. Mas como a gente insiste em formar um perfil dos personagens, pode-se dizer que Rannulf é simplesmente um cavalheiro atraente. Ele não faz graça, mas está sempre com um sorriso zombeteiro no rosto, o que já nos leva a sorrir, imaginando o que ele está pensando.


Já Judith Law, essa sim é uma clássica mocinha de história, aquele patinho que se acha muito feio, talvez devido ao meio que vive, mas que é na verdade um lindo cisne. Ela nos é apresentada como uma moça aparentemente muito comum, sem nada de especial, filha de um pastor sem posses. No entanto, além da beleza física que não acredita possuir, Judith tem também inteligência e talento. Uma jovem mulher que pensa e sente como muitas de nós, e que ao mesmo tempo consegue converter momentos infelizes, enfadonhos ou tristes em algo bem diferente e promissor. Afinal é devido a essa forma de ser que ela entra numa aventura que poderia ser muito mais perigosa do que romântica.

Após um acidente no caminho para casa de sua tia e impedir que continue viagem, Judith é convidada por um homem gentil, mas completamente desconhecido, a seguir o caminho com ele à cavalo. Longe da reprovação do pai e acreditando não ter mais chance de um futuro feliz, Judith sentiu-se livre para aceitar o convite e vivenciar pelo menos uma vez na vida uma experiência diferente. Quando a necessidade a obrigou ser forte e se oferecer em sacrifício para ir morar longe da família, em um lugar onde sabia que não seria bem aceita, Judith acreditava estar partindo para o fim de sua vida.

Logo cria em sua mente um romance com o cavalheiro e não demora muito para ele se concretizar. Como forma de defesa do seu subconsciente ou apenas desejo de ser quem gostaria, Judith se permitiu realizar o sonho de ser uma outra mulher: Claire Campbell. Uma atriz vivida, experiente e independente. E é como Claire que ela se entrega de corpo e alma a esse senhor. Parece muito improvável e realmente me faltaria coragem para fazer como Judith, entretanto estamos no mundo da leitura, maravilhoso universo paralelo onde tudo, ou quase tudo, é possível. Também vale acreditar que é preciso arriscar para encontrar aquilo que instintivamente desejamos.

E são nos momentos em que Judith é Claire Campbell que me percebi sorrindo e acompanhando o singelo humor da autora. Os dois personagens são carismáticos e vivem no primeiro momento uma história sem compromisso e descomplicada, o que os aproxima também como amigos.

Passado o momento de aventura com um estranho, e já sentindo as duras consequências de um primeiro amor inacabado, Judith o reencontra. E então temos o usual romance impedido. Seu amado, é agora o pretendente de sua prima rica a quem Judith deve o favor da moradia. Na verdade, o romance vai lembrar muito o conto da Cinderela, pois sua tia tenta fazê-la de gata borralheira, contudo não é clichê. Eles são divertidos e ela é uma Cinderela com originalidade e cheia de habilidade.


Como um bom e verdadeiro romance deve fazer para levar o leitor a sentir as emoções narradas, a autora destaca os costumes da época e o lugar em que vivem, consegue encontrar as palavras certas para descrever o tempo, o lugar, o cheiro, a paisagem e cada detalhe da história. Ela nos remete à cena em questão nos levando a vislumbrar e entender a importância de cada detalhe. Imaginando o estilo de roupa, de maquiagem, de decoração, os gestos e olhares de uma noite em baile.

"A aparência dela lembrava muito a que tinha na primeira vez que a vira: voluptuosa e elegante, a simplicidade do modelo apenas enfatizando as curvas femininas e a beleza vibrante da mulher que o usava. Os cabelos estavam penteados para trás, mas ela fizera algo intricado com eles. Estava delicadamente enfeitado com pérolas."

Judith não enxerga a beleza que tem porque foi criada para não chamar a atenção e isso, de certa forma, a prejudicou. Sabemos que o poder feminino na época não era muito favorável. Mas Rannulf a ajudou, ele enxergava a frente de seu tempo. Ele não é nem de longe o tradicional modelo de mocinho, mas me deixou encantada quando demonstrou se importar tanto com Judith. Antes de entender o significado de seus sentimentos, ele a defende e a ajuda em vários momentos, deixando claro que há algo a mais que desejo. Mesmo sem compreender o porquê de suas ações, ele aguça Judith a se mostrar e a ter orgulho de si própria, demonstrando o quanto ele é dedicado a ela.


Enfim, eles não são tão maliciosos e o livro é muito meigo, vale a pena a leitura.

"Se permitir que o orgulho e a vergonha escondam sentimentos mais ternos, vai perder a chance de fazer um casamento que suprirá todas as suas necessidades, incluindo as do coração..."

Ah! Não posso deixar de comentar que estou gostando bastante dos títulos e capas dos livros dessa série
E vocês, quando irão se render aos romances que Mary Balogh nos revela a cada obra?

Abraços, e até Ligeiramente Escandalosos.
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