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[Resenha] Um dia de cada vez - Courtney C. Stevens

>> quinta-feira, 30 de abril de 2015


"Eu nunca pensei que a vida pudesse ser tão drasticamente dividida, mas pode. E é. Só existe o depois. E o antes."

Geralmente é ao final de minhas resenhas que eu afirmo se recomendo ou não o livro, quem me acompanha já sabe que no arremate do meu texto eu finalizo dizendo o que achei, mas hoje vou fazer diferente, esse livro tão incomum pede que eu saia da normalidade e inicie minha resenha com meu final: Um livro tão simples, curto, doce, singelo. Um livro tão intenso, forte, incômodo, pesado. Se eu gostei de ler? Eu amei ler, eu precisava ler, todos deveriam ler. 

Bom em primeiro lugar, antes de inciar a resenha propriamente dita,  preciso dizer que foi muito difícil para mim fazer a resenha desse livro, expressar tudo que pensei e senti sobre esse livro, por motivos que ao longo da resenha tentarei ao máximo explicar. Em segundo lugar eu adorei essa capa, achei ela tão simples e ao mesmo tempo tão atrativa, tão chamativa, tão bonita. Agora que deixei claro esses dois pontos primordiais para mim, vamos a resenha.

Alexi Littrell é no geral uma adolescente normal, possui duas melhores amigas, tem uma família bem estruturada, com pais presentes, é a irmã caçula de duas filhas... Tudo ia relativamente bem até que algo acontece com ela em uma noite de verão e isso abala sua vida, sua segurança, o seu mundo.

Um dia de cada vez ( Suma de Letras, 2014, 232 páginas), que tem como seu titulo original " Faking Normal" ( algumas pessoas não gostaram da versão em português do título, mas eu achei que combinou certinho com a historia com o livro traz) inicia suas primeiras páginas de forma bem despretensiosa, mas de cara sua cena inicial é passada em um velório, onde tudo vai ser sendo contato aos poucos, onde você leitor, tem que estar atento aos detalhes, a narração e assim ir clareando sua mente a respeito do que esta acontecendo.

A todo momento você percebe a Alexi sempre constrangida, introspectiva. assustada, mas que ao mesmo tempo tenta parecer perfeitamente normal perante sua família e amigos (por isso o título original), ela tenta passar por cada dia como se fosse mais um que ela esta tentando esquecer o que aconteceu com ela. Com passos de bebê, tenta viver exatamente um dia de cada vez. Alexi não quer que ninguém saiba dos acontecimentos que mudaram a vida, ela não quer a pena ou compaixão das pessoas e estudando em um escola onde todos possuem um rotulo, ela não quer ser taxada como "aquela garota". Mas em seu quarto, sem que ninguém veja é que ela deixa sua dor livre, seu trauma tomar força, que ela toma atitudes contra ela mesma e sucumbe ao fardo que é guardar tudo para si e enfrentar sozinha a sua situação. Até aqui já deixem vocês curiosos? Sim? Ótimo, pois foi assim que me senti, pois nesse livro assim como acontece com Alexi, a autora vai nos brindando aos poucos com cenas e diálogos que possam no mostrar o que aconteceu com a Alexi.
"O closet é minha maldição e meu lugar de paz. Por pelo menos uma hora todos os dias, eu me escondo lá. Encolhida e aninhada. Abraçada aos joelhos, enquanto forço minha mente a não viver no modo louco de "antes e depois". Mas é inútil."
Eu iniciei a leitura desse livro muito curiosa (tá certo, quem me conhece já sabe que sou assim por natureza, mas ele me deixou mais ainda), pois não li sua sinopse, apenas seu título e o comentário sobre ele em sua capa, para evitar algum possível spoiler, mas já achava que seria um romance com drama envolvido, mas que nada, a autora me deu uma chave de braço e me deixou totalmente surpreendida. Sua narrativa tão delicada, tão sutil é ao mesmo tempo tão direta, nos atingindo diretamente no estômago. A inteligência e sabedoria com que escreveu sobre o assunto abordado no livro e o modo como construiu  seus personagens, são raras.

No decorrer da leitura você vai percebendo que a Alexi era uma garota popular, cheia de amigos, supostos pretendentes em vista, mas que tudo isso mudou depois de um certo dia. Ela mudou seu comportamento, seus gostos, nem seu humor não era mais o mesmo. Nada mais faz sentido para ela, mas ela prefere se punir a contar algo para alguém. Na verdade, a única coisa que a faz sobreviver cada dia são letras de músicas deixadas em sua carteira na sala de aula, compartilhadas com um garoto misterioso que ela apelidou de Capitão Letra de Música. Ele parece entender seus sentimentos com cada letra de música que compartilha com ela, e ela devolve este sentimento respondendo as letras de música. Pensar naquelas canções é o que a faz seguir em frente.

 Eu fiquei em muitos momentos angustiada com o tormento que a Alexi estava vivendo, tive vontade de entrar no livro várias vezes e dizer que ela poderia contar a mim o que aconteceu. Mas como não posso, eis que a Courtney satisfaz um pouco meu desconforto de leitora ao me presentear com Bodde Lennox, um dos personagens mais lindos que já li.

Bodee Lennox é conhecido por pintar o cabelo com suco em pó. Alinhando a tradução com o nosso vocabulário brasileiro, no livro o Bodee se torna o Garoto Ki-suco (marca que nem existe lá fora) e além desse apelido, ele que sempre foi incomum, agora recebeu um novo rótulo terrível: o garoto cujo pai está preso porque assassinou a mãe. Só passei a falar sobre o Bodee agora para melhor situar vocês na trama, mas o conhecemos logo no início do livro, pois é o velório de sua mãe que citei logo acima. 

Bodee e Alexi se conhecem desde sempre, mas não faziam parte da mesma turma, porém suas mães eram muito amigas e é devido a essa amizade que Bodee passa a residir na casa da familia da Alexi.
E dessa forma Bodee passa a fazer parte da vida da Alexi e uma improvável amizade, um quase impossível sentimento entre os dois vai surgindo, de forma gradual, natural e forte. Eles se reconhecem em suas dores, se entendem em seus segredos e na forma como tentam superar algo que é maior que eles. Ele é o único a perceber que há algo errado com Alexi e não faz cobranças, só mostra a ela que agora está ali ao seu lado para ajudá-la no que precisar, assim como acontece o inverso também. Ela está ao lado dele pelo mesmo motivo. O modo como o relacionamento dos dois cresce, aos poucos, de algo tímido e sútil, para algo cada vez mais forte, protetor, é bonito, mais tão bonito.

E já não bastava a autora me encantar com esses dois personagens, ela me fez questionar durante toda a leitura o que realmente tinha acontecido com a Alexi, quem estava envolvido nisso. A cada página eu imaginava que as coisas tinham acontecido de uma forma, e que tudo levava para determinado caminho, mas depois ela surgia com um fato novo, uma conversa nova e me enganava. 

E quando tudo se revelou, eu fiquei chocada, fiquei triste, eu não queria que tivesse sido daquele jeito. Sério, fiquei imensamente triste por todos envolvidos, a Alexi, sua familia, seus amigos. Mas ao chegar esse final e depois de saber de tudo, eu tive, mais uma vez, que parar e dizer como a Courtney costurou bem essa história, como tudo que ela escreveu durante o livro fazia sentido e direcionava para aquele caminho.

Um dia de cada vez não é um livro de romance como pensei inicialmente, não é um livro sobre dramas adolescentes, ou pelo menos não é apenas só isso. A principal característica do livro é seu poder de reflexão a respeito de situações sérias e de como uma pessoa que passa por essa situação pode sofrer muito. É uma leitura para todos lerem, pois além de falar de um assunto sério, nos faz pensar muito e refletir. Sua história me deixou inconformada, inquieta, mas talvez seja porque ela é tão real e tão próxima de nós.

A autora fala sobre isso no final do livro, ela escreve uma nota dizendo que espera que com esse livro possa dar um “abraço” naqueles que sofrem abusos, seja qual for, e não conseguem falar a respeito, de forma bem íntima até, mas por favor, não leiam isso antes de lerem o livro, não vejam a última pagina, essa história merece ser lida intensa e completamente, de seu início ao seu fim. 
Acredito que diante de tudo que escrevi não preciso dizer, mas digo mesmo assim: Eu mais que recomendo esse livro para sua lista de leituras.
"Não vai ter laço de fita, mas Deus vai amarrar as coisas."


Beijos e até a próxima


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