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[Entrevista] André Vianco

>> quarta-feira, 29 de abril de 2015

                                     
André Vianco mostra os dentes em novo projeto

André Vianco é um escritor brasileiro, nascido em São Paulo, estado de São Paulo e criado em Osasco. Suas obras sobrenaturais misturam terror, suspense, fantasia e romance em histórias que geralmente envolvem o tema Vampiros.

Quando lá nos estertores dos anos 1990, André Vianco resolveu pegar seu fundo de garantia, após perder o emprego, e transformá-lo em livros, além de ter sido chamado de maluco por sua família e amigos, abriu portas para toda uma leva de escritores de literatura fantástica em solo brasileiro. Essa história é alegórica, velha conhecida de todo novo autor que um dia já quis publicar um livro de fantasia, terror ou ficção científica. Era só falar em André Vianco para alguém dizer. “Conheço, aquele cara que gastou o dinheiro do FGTS para poder publicar seus livros”.

André Vianco, portanto, é considerado um precursor. Alguém que pegou o facão e foi abrir a picada para alcançar seus sonhos. Uma picada que ficou, para que outros a seguissem e eventualmente aumentassem a vereda que acabou se transformando em um caminho largo, suficiente para que um fluxo de novos autores surgisse e começasse a transitar por ela, levando textos novos às editoras e trazendo livros para as prateleiras das livrarias. Novos nomes eclodindo aqui e ali, mostrando que brasileiro também sabe escrever literatura fantástica.

De lá para cá o paulista de Osasco publicou doze livros, desde o trabalho que custou alguns milhares de reais, pela primeira edição de Os Sete (Ed. Novo Século, 2000). Quem diria que Vianco venderia aquelas poucas centenas de livros de terror nacional e acabaria sendo contratado para publicar em grandes editoras, um sucesso estrondoso que um dia bateria a casa do milhão de livros vendidos. Vai o tempo, portanto, em que André Vianco era um caso pitoresco, conhecido apenas por ter feito uma aposta arriscada, e ficamos com uma personalidade da literatura e do empreendedorismo brasileiro. Alguém que passou a dar as cartas no mercado editorial, ainda com seus vampiros espreitando das sombras, mas também um homem de negócios, pronto a apostar na área que conhece.

Se ainda há editoras no Brasil que não se decidiram a investir em autores nacionais, optando apenas por republicar aqui os sucessos lá de fora, André Vianco chega inaugurando um selo próprio de literatura de ficção, junto com a Giz Editorial, editora já reconhecida por atuar no mercado de auto publicação. Vianco chega dando o recado a quem quiser ouvir no mundinho das editoras: “Ei, amadores, deixa quem conhece mostrar como se faz”. Quem não tiver ouvidos vai ter é que chupar o dedo.

***

Albarus Andreos – André, é um imenso prazer tê-lo no Menina da Bahia. Pensei nessa entrevista em face aos últimos acontecimentos, que agitaram o mercado de literatura fantástica nacional. Sou um dos muitos que ficaram de boca aberta ao ler sobre seu novo projeto, dessa vez adentrando as portas adversas da edição de livros. André Vianco está mudando de Casa Editorial? O que é a Calíope?

André Vianco – Eu tinha 12 livros na editora anterior que me publicava e estava insatisfeito com a administração da minha obra, conversando com editores e fazendo uma autorreflexão, cheguei a conclusão que era tempo de eu mesmo tomar conta da minha obra, para isso procurei parceiros que já conhecia, que têm vasta experiência no mercado e abri o meu próprio selo onde meus livros serão bem cuidados. Poderei também cuidar da obra de outros autores por lá, terei uma equipe para ajudar a avaliar originais e preparar textos. A princípio a Calíope atenderá apenas edições por demanda, quando o autor banca a sua publicação. Ainda que o termo “auto-publicação” e o fato de ter que investir do próprio bolso para ter seu primeiro livro publicado, assustem alguns estreantes, a Calíope trás um suporte muito forte e um modelo bastante diferenciado daquele que os autores costumam encontrar no mercado atual.

Albarus Andreos – Você é dono da Giz Editorial agora? Sócio? Ou está lá como colaborador? Quem manda na Calíope?

André Vianco – Não sou dono da Giz. A Giz já tem um grande catálogo e eu estou chegando para somar. Como tenho lá dentro o selo Calíope sou quase como um sócio, mas ainda continuo livre para cuidar apenas da parte criativa do processo que é escrever meus livros e ajudar outros autores a desenvolver suas histórias, eventualmente alguns deles poderão ser publicados pelo selo Calíope.

Albarus Andreos – Como se deu essa mudança de postura que o levou a editar livros? Por que André Vianco decidiu investir nos outros?

André Vianco – Escrevendo e publicando de forma consistente nesses últimos 15 anos consegui acumular experiências tanto como narrador como “vendedor” de histórias. Consigo lidar com o lado comercial da literatura e aconselhar aqueles que estão começando.

Albarus Andreos – Sim, entendo o interesse comercial, mas e quanto a literatura? Poderemos esperar o surgimento de talentos, como ocorreu com a Editora Fantasy há alguns anos, quando Afonso Solano, Fábio Fernandes, Carolina Munhoz e Leonel Caldela ganharam suas chances?

André Vianco – Esse aspecto depende da oferta de bons originais para que se concretize. Todo trabalho recebido será analisado, os autores terão feedback também do ponto de vista técnico. Eventualmente seus trabalhos podem ser melhorados. Contudo, reforço que por hora, o selo é destinado para publicação por demanda. Uma coisa é certa, se foi publicado pelo selo Calíope existe valor ali dentro daquele livro.

Albarus Andreos – Sei que nesse exato momento há uma legião de escritores loucos para mandar seus textos para avaliação, mas é bom definir os limites dessa nova empreitada. O Selo Calíope é voltado só para literatura fantástica?

André Vianco – O selo Calíope é voltado para as boas histórias de ficção, para as boas séries e para os bons contadores de história. Se é ficção e bem escrito, queremos ler.

Albarus Andreos – O que representa sua mudança de papel para a literatura fantástica nacional? Entendo que não se trata apenas de uma mudança de endereço, mas que você quer mais. Quer algo que ainda não existe. O que André Vianco vê como problema atual no mercado para quem não é André Vianco? Qual o futuro que vislumbra, colocando-se agora do outro lado do balcão?

André Vianco – Acho que a coisa mais representativa que fiz pela literatura nacional foi ter acreditado nas minhas histórias, lá atrás, na década de 90 e ter conseguido publicar meus livros, mostrando para o mercado que o brasileiro queria ler terror escrito por brasileiros, sim. Já foi uma contribuição e tanto. Depois do sucesso dos meus livros os editores nacionais começaram a pensar duas vezes antes de rejeitar um original de terror ou fantasia de escritores brasileiros. Antes a maioria dos editores nem liam esses originais, acho que ficaram mais receptivos. Os problemas do mercado atual são vários e não são polarizados nas figuras de autor, editora e livrarias. É uma coisa muito mais complexa e difusa que anda lado a lado com as mudanças culturais que vivemos por conta do alastramento da internet. É uma situação mundial. Os livreiros saíram na frente na corrida para se adaptar as mudanças frenéticas que a facilidade de troca de informações e arquivos possibilita. As editoras ainda estão tentando entender, correndo atrás das redes sociais e tal. Os autores vão acabar, de uma forma ou de outra, também compreendendo que existirão novas formas de narrar para as gerações vindouras. As primeiras figuras mencionadas estão adiantadas nesse processo por uma questão de capital, financeira. Os autores que vivem de direitos autorais, ou querem viver, ainda procuram o ponto certo da fruição, e é o que temos que fazer mesmo, conciliar nossa arte com a forma que os leitores leem cada vez mais.

Albarus Andreos – Por que você se importa com os quadros da atual literatura fantástica? Afinal, se tem um autor que deveria estar tranquilo com relação ao mercado literário nesse país é André Vianco. Aquele espírito desbravador que o levou, no início de sua carreira, a distribuir pessoalmente seus livros, de livraria em livraria, ainda persiste?

André Vianco – O mercado é mutante e a luta é constante, Albarus. Não podemos baixar a guarda, hahaha. O espírito guerreiro que eu tenho me mantém alerta e estou hoje buscando bastante coisa no mundo do audiovisual também, não só na literatura. Eu acho que como grandes escritores de fantasia, também temos promissores roteiristas de ficção. 

Albarus Andreos – Dartana sai pela Calíope? Conte-nos sobre esse novo e aguardadíssimo livro.

André Vianco – Dartana sairá pela Rocco. Tenho um ótimo relacionamento com a editora carioca e muitos livros para lançar pela Rocco em breve. Dartana é um livro incrível e que me levou para longe da minha zona de conforto, onde narrava só o sombrio. Ainda que a história de Dartana caminhe por trevas no começo, é um livro de alta-fantasia em sua essência. Dartana é um mundo onde seus habitantes não conseguem reter conhecimento algum, não existe desenvolvimento tecnológico e as experiências não são acumuladas. Se hoje você constrói uma cerca para o seu rebanho, amanhã você não lembra como o fez e nem consegue ensinar a seu vizinho. As pessoas são miseráveis em Dartana, mas existe esperança para quebrar essa maldição. De tempos em tempos surge no Hangar das feiticeiras um deus de guerra e quando ele chega a população capaz segue atrás dessa criatura iluminada que marcha para um mundo de batalhas. Lá o deus de guerra de Dartana combaterá contra outros tantos deuses e aquele que se sagrar campeão levará o conhecimento para o seu mundo. Logo, logo estará nas livrarias. Estou dando as polidas finais dessa história. 

Albarus Andreos – André, muito obrigado e desculpe tomar seu tempo. Digo isso para que você volte logo ao trabalho. Vai! O que você está esperando? A hora é agora e você é o cara, meu velho.














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