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Por favor, cuide da Mamãe - Kyung-sook Shin

>> sexta-feira, 13 de julho de 2012



Quando ela a repreendia, quase sempre você a chamada de Mamãe. A palavra "Mamãe" é familiar e esconde um apelo: por favor, tome conta de mim. Por favor, pare de gritar comigo e faça um afago na minha cabeça; por favor, fique do meu lado, tenha eu razão ou não. Você nunca deixou de chamá-la de Mamãe. Mesmo agora que ela desapareceu.
Pág. 24


Park So-nyo é uma senhora de 69 anos e mãe de cinco filhos. Ela vivia no interior da Coréia do Sul com seu marido. Park sempre foi uma mulher sofrida, enfrentou muitos problemas durante a sua vida, mas sempre foi uma esposa e mãe extremamente dedicada e amorosa. Um dia, o casal resolve ir a Seul, numa visita aos filhos e, num piscar de olhos, Park desaparece na estação de metrô. Seu marido vai na frente, como sempre fez a vida inteira, acreditando que ela estaria logo atrás, e, quando entra no vagão e a porta se fecha, percebe que sua esposa não está lá. Ele desce na estação seguinte e volta para buscá-la, mas ela simplesmente desapareceu.

Park era uma mulher simples e sem estudos, que sempre fez de tudo para que seus filhos tivessem as oportunidades que ela não teve. Ela passava por fortes dores de cabeça devido a um derrame que sofreu alguns anos atrás, e que acabou a deixando um pouco desorientada.

Enquanto seus filhos a procuram, presente e passado se misturam numa história repleta de emoção. Junto com a busca, vêm também muitas lembranças, reflexões, culpa e, sobretudo, o remorso pelo que não foi feito nem dito para aquela mulher que foi sempre tão dedicada, sempre deu tanto e recebeu tão pouco. Durante a busca, os filhos e o marido vão se dando conta de que, de fato, não conheciam profundamente Park... ou talvez não tenham parado para ouvi-la e tentar compreendê-la, gerando uma série de questionamentos e arrependimentos.

Na véspera do último Ano-novo, anotei o que queria fazer de minha vida além de escrever. Por diversão. As coisas que queria fazer nos próximos dez anos. Mas não planejei fazer nada com Mamãe. Não percebi isso enquanto escrevia. Mas agora que leio depois de Mamãe sumir...
Pág. 114

Por diversos momentos senti raiva daqueles filhos que demoraram dias pra começarem a procurar a própria mãe idosa, sozinha, doente, perdida numa cidade grande. Senti raiva da calma e tranquilidade que alguns deles tiveram. Raiva daquele marido que nunca enxergou de fato aquela mulher, que sempre andou na frente reclamando do quanto a sua esposa era lenta ao caminhar. Quando algumas pessoas informam que viram Park perambulando pela rua, muito suja, comendo lixo, com uma ferida feia e infeccionada no pé por ter andado demais, senti uma grande tristeza pela dor daquela pobre senhora perdida e sem rumo.

A escrita é bem diferente do que eu estou acostumada. Em cada um dos cinco capítulos, é como se a história estivesse sendo contada por um narrador para cada um dos membros daquela família. Isso me deixou meio confusa no início, mas depois acabei me acostumando. No último capítulo conhecemos a versão da própria Park, e podemos entender também o ponto de vista dela.

Leve, sensível, profundo, Por favor, cuide da Mamãe, de Kyung-sook Shin (Intrínseca, 240 páginas, R$ 29,90), nos faz parar e analisar a relação que temos (ou tivemos) com nossa própria mãe e rever nosso papel como filha.

Depois que Mamãe sumiu, percebi que há uma resposta para tudo. Eu poderia ter feito tudo que ela queria que eu fizesse. Não teria problema. Não sei por que eu a irritava com coisas assim.
Pág. 112

Terminei o livro com lágrimas nos olhos e por diversas vezes parei pra pensar no que eu também poderia ter feito pela minha mãe e quantas coisas mais eu faria se ela ainda estivesse aqui. A gente sempre pode fazer mais. A gente deve fazer mais. Não devemos deixar que o tempo passe, levando as oportunidades e trazendo arrependimentos.

Ainda que Mamãe esteja desaparecida, o verão chegará e o outono chegará de novo e o inverno chegará, num instante. E eu estarei vivendo num mundo sem Mamãe.
Pág. 230


CLÁUDIA VASCONCELOS

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