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Stolen (Raptada): Carta ao meu sequestrador - Lucy Christopher

>> sexta-feira, 22 de junho de 2012



Para onde quer que eu fosse, você me pegaria.
Eu não tinha como fugir.
Pág. 91


Primeiro de tudo: não é série! A forma da narrativa é diferente e bem singular, por assim dizer. Um monólogo, escrito em forma de carta-relato da vítima para o sequestrador. Nesse relato ela detalha tudo que se lembra do período, das emoções e conflitos dos sentimentos. Os diálogos existem, mas são poucos.

Gemma foi sequestrada no aeroporto. Sequestrada por Ty. Ele a drogou e a levou de Bangkok para o intrépido deserto da Austrália. Ele passou anos esquematizando tudo, desde a documentação falsa ao cativeiro.

A todo o momento Gemma pergunta: Por que eu? Ty responde: porque foi você quem me encontrou. Confesso que eu já estava angustiada e irritada pra saber por que ela, como assim ele passou anos esquematizando? E o que ele queria com ela afinal? Matar? Estuprar? Os dois?

- Quanto tempo vai me manter aqui? – perguntei.
Você deu de ombros.
- Para sempre, é claro.
Pág. 40

Ty a levou para uma casa rústica no meio de um imenso deserto. Ele até a deixou ir embora, fugir, duas vezes. E nas duas vezes ele foi ‘obrigado’ a salvá-la. Cansada de fugir do nada para o nada, Gemma meio que se conforma e ele faz um trato: Se em 6 meses ela não se adaptar à terra e à ele, então ele mesmo a levaria para a civilização e a libertaria.

Stolen, de Lucy Christopher (Id, 368 páginas, R$ 37,90), é um relato cru e amargo de uma adolescente que teve sua vida roubada de si mesma. Alguém que aprendeu a conviver com a mente deturpada e instável de um sequestrador – que parecia o Channing Tatum – que queria que ela aprendesse a amá-lo. Mas é também um desabafo sobre o conflito interior que lhe aflige: teria coragem de entregar Ty às autoridades? Ou contaria uma versão branca sobre como ele lhe salvou várias vezes e cuidou pacientemente, sem agradecimento em troca?

Como falei no início, a narrativa é diferente e por isso soa um pouco estranho quando lemos, por exemplo, "vôce tocou o anel no meu dedo e começou a se afastar"- porém, não deixa de ser interessante. E não só isso, o relato não é tão comovente, exceto nas páginas finais. Os detalhes e o local do cativeiro são bem detalhados, reais. Conseguimos visualizar perfeitamente o deserto australiano. Mas falta enredo.

Ty tem uma realidade distorcida da vida, talvez por causa de sua traumática infância. Para ele a Terra e Gemma bastam, ele não precisa de mais nada. Antes de começar a história, há uma nota da autora falando sobre a síndrome de Estocolmo; constantemente pensava: quando Gemma irá se apaixonar por Ty? A nota meio que nos dá uma noção equivocada. Gemma odeia o que Ty fez com ela e odeia todo o resto. No finalzinho, talvez, vejamos um breve vislumbre da tal síndrome.

Eu odiei Ty do início ao fim. O que ele fez não tem perdão. A autora tentou dar um pouco de 'humanidade', em algumas cenas nos sentimos balançados, mas isso não minimizou o ato em si. E só para constar, odiei o Ty e não o livro. Eu gostei da história, mas senti que a autora deixou passar algo para que ele fosse ‘ótimo’. Li um comentário engraçado na Amazon, onde a leitora disse que o único personagem que ela gostou foi a camela, rs.

É ler e tirar suas próprias conclusões. Além do óbvio, que já sacamos pelo subtítulo, há mistério, suspense e aventura. Acredite, o deserto pode ser o local ideal para tudo isso.



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