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Um Rosto Bonito - Lori Lansens

>> quarta-feira, 2 de maio de 2012




Fome. Comida. Sustento...
Água para a flora.
Sol para a terra.
Ar para os pulmões.
Gooch para Mary.
Deus para a alma.
Pág. 167



Mary Gooch tem 43 anos e pesa 151 quilos. Está comemorando 25 anos de casamento. Casada com Gooch desde os 18 anos, tudo que ela sabe fazer é como ser uma boa esposa e nunca ligar para o marido no trabalho. Mas esse dia, no dia do aniversário do casamento, será um marco na vida dela: o dia em que Gooch a deixou.

Ela nunca ligara pro trabalho do marido com medo de descobrir que ele mentia para ela e mantinha casos extraconjugais. Ela sabia que estava obesa, prometera a si mesma que se ultrapassasse os 150 quilos se mataria. Mas fora miserável até mesmo nisso. Ela não era corajosa para tirar sua vida.

Comendo compulsivamente, esperando Gooch aparecer – afinal ele precisava aparecer -, os dias de Mary iam passando sem muitas novidades. Ela tal qual uma serva, esperando obedientemente. Até que descobre um bilhete: ele havia ganhado na loteria e deixado um pouco na conta para ela. Ele precisava de um tempo e ela precisava seguir sua vida.

Ela fez a coisa mais lógica possível – na opinião dela, porque ela queria Gooch de volta –, pegar um voo para outro país, para a casa da sogra. Se há um lugar que ele poderia passar era lá. Sem malas, apenas com a roupa do corpo, ela compra a passagem e vai em busca do marido, mal sabendo ela que a vida daria outra guinada. Finalmente Mary sairia do seu estado de autocomiseração e passaria a viver de verdade.

Um Rosto Bonito, de Lori Lansens (Bertrand Brasil, 403 páginas, R$ 49,00) é sensível. Mary poderia ser qualquer uma de nós, seu demônio é a comida – que ela utiliza como um escape para os problemas. Ela é insegura, dependente. Mary é um daqueles personagens que você ou ama ou odeia, passei metade da história odiando-a, querendo dar um safanão nela para que acordasse e visse que Gooch jamais voltaria e que ela precisava sair daquele estado de semidepressão rapidamente. A autora nos apresenta uma nova Mary no momento em que ela cai na realidade da Califórnia. Essa nova Mary, sim, quer viver; para de ter pena de si mesma e enfrenta o bicho da fome e o fim do casamento.

Outro ponto positivo está na narrativa. Em forma de diálogos, seja de Mary com outros personagens ou em seu monólogo interior. As quatrocentas páginas fluem rapidamente. Um relato comovente e totalmente franco da vida de uma mulher com mais de trinta, sem filhos, largada pelo marido e obesa.


Um Rosto Bonito não é uma história bonitinha de contos de fadas, mas sobre esperança, autoaceitação e transformação. Várias mulheres irão se identificar com Mary e encontrar nela força para seguir em frente.

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