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Fadas de Dreamdark: Blackbringer - Laini Taylor

>> quarta-feira, 6 de abril de 2011

Albarus é escritor e me ajuda aqui no blog com resenhas de livros de fantasia. Suas resenhas são feitas em forma de histórico de leitura. Ele acredita que assim não perde o que ele pensava no exato momento em que terminou de ler certo trecho. A resenha é um pouco longa, mas garanto que vale a pena. Ele esmiúça o livro e nos conta o que tem de bom e ruim :):)
Espero que apreciem a leitura.



Sinopse AQUI.

Resenha by Albarus Andreos:


14/03/2011.

Fadas de Dreamdark: Blackbringer, de Laini Taylor (Novo Século, 320 páginas, R$ 39,90), foi absolutamente grata surpresa! Fantasia pura na veia! O excesso de nomes em inglês (mais de uma vez já ouvi que o tradutor deve tentar preservar nomes próprios e topônimos na língua original, o que, neste caso, considero um erro!) não compromete a trama, mas seria legal tentar traduzir sem medo neste caso, já que os nomes sempre querem dizer alguma coisa nesta fantasia. E Poppy Manygreen poderia muito bem ficar como Poppy Muitosverdes (ou Poppy Sempreverde, o nome de uma planta), já que é nome de fada e nisso o autor foi criativo (mas o tradutor resolveu não ousar). O tradutor, na minha humilde opinião, deveria seguir na mesma trilha. Se Rivendell virou Valfenda (e ficou muito legal), porque não imbuir-se de algo do espírito fantástico do autor original e fazer o que ele poderia ter feito, se fosse brasileiro?

A história de Magpie é nova e deliciosa, neste início de livro. Há elementos do reino das fadas por todo o lado, e não são fadinhas boazinhas o que temos aqui. Magpie é uma caçadora de demônios! Voa pelo mundo dos “hominis” à caça de criaturas das trevas com um bando de corvos, seus companheiros de viagem e amigos.

Talvez se fosse um pouco mais sinistro e com um pouco mais de crueza à mostra, o livro ficasse mais adulto. Na faixa em que está, contudo, o livro torna-se bem “adolescente”. Bem... ainda está assim, mas isso em nada tira o brilhantismo da narrativa. Laini Taylor sabe escrever. Personagens bem construídos, narrativa envolvente embora use “um tantinho assim” o recurso de usar a “voz do narrador” para contar o pano de fundo (o que desqualifica um quase-nada de sua habilidade construtiva do drama), quando seria mais “literário”, utilizar os próprios recursos dos personagens e do texto envolvido para fazer isso (vide um mestre fazendo isso em A Estrada da Noite, de Joe Hill, se quiser saber a que me refiro; ou A Guerra dos Tronos, primeiro livro da saga Crônicas de Gelo e Fogo, absolutamente top of the top, de G. R. R. Martin).

Mas estou ainda muito no início do livro. E por enquanto, vai nota quatro!


22/03/2011.

Chegamos numa parte do livro que é naturalmente mais “enrolada”. Obviamente que “enrolado” aqui, não significa atulhado, ou confuso, ou cheio de nós irritantes... Laini Taylor sabe expor o conteúdo (o miolo é a parte mais repleta de conteúdo de um livro) com muita habilidade. Depois da parte introdutória, onde nos são apresentados os personagens principais e secundários e as situações a serem enfrentadas, vem o “enfrentamento” propriamente dito, onde os personagens vão desempenhar-se a si próprios no cumprimento das metas traçadas pelo autor. Ex.: o guerreiro vai mostrar porquê é guerreiro (fazendo coisas audaciosas e decepando algumas cabeças), o dragão vai mostrar que é o dragão (cuspindo fogo e destruindo algumas vilas), o mago vai mostrar que é mago (invocando alguns demônios, fazendo feitiços e dando dicas sobre o artefato mágico a ser encontrado) etc.

É a parte mais explicativa do livro e é no “expliquismo” que Laini Taylor titubeia ligeiramente e coloca-se na fronteira da falha, mas ela não falha! A trama nos é apresentada e as situações correm devidamente excitantes e continuamos cheios de interesse pelo desenrolar dos fatos apresentados. O leitor quer continuar lendo o livro para descobrir como ela vai desatar os nós. O linguajar original cheio de neologismos e de “chingamentos” dos personagens é uma joia à parte. As personagens parecem habitantes de locais longe das grandes cidades (e são habitantes das florestas), são caipiras mesmo. Ficou engraçado e original. Quanto ao linguajar, ao invés de um sonoro “Caralho!” ou “merda”, o fadinha e os corvos, seus “irmãos”, vem com “Porcarrolha”, ou “fubequento”. Parabéns ao tradutor por saber lidar com isso. Parabéns a autora.

Falhas; sim há algumas, mais relacionadas com uma revisão de texto menos cuidadosa da editora. Erros de ortografia: às vezes uma concordância de gênero ou de pessoa, mas nada que uma nova revisão não poderá extirpar. Outro problema, volto a insistir, é a tradução ou não de nomes. Se o tradutor mostra habilidade no “porcarrolha”, não mostra querer se arriscar a dar a cara à tapa nos nomes próprios. É óbvio que não se traduz um hipotético “John McDermitt”, por ser um nome próprio, mas quando temos nomes como “Blackbringer”, pelo menos (sem pensar muito) “Portador das Sombras” poderia ser tentado.

É que existe uma coisa de leitores mais disponíveis lerem o livro em inglês e depois achar ruim que nomes que ele leu no original sejam traduzidos (purismo sem sentido), ou resolver dar pitacos lá pros contatos dele no Orkut sobre um nome traduzido, dizendo “gostei”, ou “não gostei”. Óbvio que o tradutor não pode fazer nada ridículo. Tem que adaptar dentro do bom-gosto e fazer adequações possíveis e necessárias e não, simplesmente, traduzir ao pé da letra, porque o sentido da língua original às vezes se perde pela diferença cultural ou de gíria, mesmo, etc.

Contudo, pior que se traduzir um nome que não fique tão bom e sonoro como o original em inglês, é deixar tudo como está e perder a oportunidade de contribuir para a adaptação à língua. A tradução deveria incitar o mesmo conteúdo imaginativo e implícito que o original sugere e dane-se se algum purista não gostar! Portanto não há muitos entraves em se usar Frodo Bolseiro ao invés de Frodo Baggins, em O Senhor dos Anéis; ou Casterly Rock virar Rochedo Casterly, nas Crônicas de Gelo e Fogo de G. R. R. Martin.

Em as fadas de Dreamdark, na minha opinião, o tradutor foi cuidadoso demais, no sentido de não ousar e então temos nomes em inglês lutando com um texto em português: um Frankenstain sem sentido. Portanto, o livro perde um ponto. Nota 4, dessa vez (que Laini Taylor me desculpe, mas o tradutor que vá lá explicar por quê não 5).


24/03/2011.

E o livro terminou. E fico feliz por tê-lo lido. Os diálogos espirituosos, a narrativa absolutamente redonda e inspiradora de Taylor chegou ao fim. Não posso deixar de reiterar o quanto este livro foi uma leitura prazerosa e edificante.

Começo a pensar que o tradutor usou o Word na sua tarefa pois como acontece com meus textos, a auto-correção faz das suas, pois muitos erros de gênero e pessoa continuaram a ocorrer (é bom desativar o recurso de auto-correção, tradutor!). E a tarefa de traduzir os nomes, reconheço que não pode ter sido muito fácil. Temos lá a Floresta de Dreamdark, mas temos também a cidade de Quase Nunca; temos Butch Hangnails, mas temos o demônio Chupa-tripas. Traduzir foi uma tarefa difícil neste livro.

Tivemos um enredo fantástico, personagens cativantes, narrativa esplendidamente bem estruturada, história muitíssimo bem contada, contexto interessante. O final me pareceu ocorrer rápido demais, como se ainda faltasse alguma coisa por contar, remetendo necessariamente a um segundo livro. Mas isso não é defeito... Recomendo as aventuras de Magpie à todos. Grande livro! Nota 5.

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